Minha primeira vez no swing o dia que meu coração quase saiu pela boca
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Coração acelerado, muito tesão guardado e um marido que não perguntou só abriu a porta.
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Coração acelerado, muito tesão guardado e um marido que não perguntou só abriu a porta.
Isso aconteceu lá por 2002, talvez 2003. Na época, eu jamais imaginaria que um dia reviveria essa memória com o sorriso largo e o gosto bom que sinto agora na boca.
Ainda éramos namorados. O Sr. Moema, sempre à frente do seu tempo nesse assunto, já ensaiava os primeiros passos me mostrando alguns vídeos pornôs. Eu adorava, claro, mas carregava aquela vergonha quase infantil de admitir o tamanho da minha excitação.
Ele, percebendo o terreno fértil por trás da minha timidez, tentava me cavar um convite para uma casa de swing. O ritual era quase um clássico: ele me levava para jantar e, no caminho de volta, desacelerava o carro bem na porta da balada. Olhava de soslaio e, com aquela voz macia de quem não quer nada, soltava: — Quer entrar hoje, amor?
E eu recusava. Sempre. O coração dava um solavanco no peito só de cogitar a cena.
Mas houve uma noite. Ah, aquela noite…
O roteiro começou igual: jantar impecável, vinho bom, risadas soltas. No retorno, o carro parou novamente em frente ao Casa Blanca, uma casa de swing tradicional ali em Moema, aqui em São Paulo. Só que, dessa vez, o Sr. Moema pulou a parte do roteiro em que me pedia permissão. Ele simplesmente desligou o motor, desceu, deu a volta pelo capô e abriu a minha porta.
Ali, sob a luz difusa da rua, com a porta escancarada e o manobrista já estendendo a mão para pegar a chave, eu travei. Mas não foi um travamento de recusa. Foi aquele frio estonteante na boca do estômago, o tipo de vertigem que avisa: vai, que no fundo você quer. Minha primeira vez no swing começou antes mesmo de eu pisar na calçada; começou no eco do meu próprio silêncio.
“O que vão pensar? E se alguém me tocar? Como eu me comporto?”
Uma enxurrada de fantasmas bobos, desses preconceitos que a gente cultiva no escuro sem nunca ter visto a realidade de perto.
Entramos de dedos entrelaçados. Apertei a mão do Sr. Moema e foi aí que percebi, pelo suor da palma dele, que ele estava tão tenso quanto eu. Éramos dois sobreviventes em terra firme, encolhidos num canto, torcendo para sermos invisíveis. Escolhemos uma mesa discreta. Era dia de semana: o ambiente era sofisticado, a música envolvente, o público bonito e bem-resolvido. Aos poucos, a atmosfera foi anestesiando o meu pudor. A timidez derreteu como gelo sob o sol de meio-dia.
Mais tarde, o desejo pediu passagem e fomos explorar a área de interação. Cabines, gloryholes, salas coletivas... Tudo projetado com uma simplicidade elegante, mas envolto em um ar de segredo que fazia o sangue pulsar mais rápido. Entramos em uma cabine individual, corremos a cortina da janelinha e ali, isolados do mundo, fomos apenas nós dois.
Foi um momento cru e delicioso. Aquela sensação divina de se sentir um pouco proibida, um pouco liberta, completamente dona do próprio corpo e do próprio prazer. Saímos da cabine rindo à toa, com a leveza e o brilho nos olhos de quem acaba de descobrir um continente novo dentro de si mesma. Dançamos um pouco mais e fomos embora flutuando.
A minha estreia nesse universo me ensinou duas coisas fundamentais que guardo até hoje:
A nossa mente é especialista em criar monstros: O ambiente do swing é pautado pelo respeito mútuo, pela higiene e pelo consentimento. Ninguém encosta em você sem permissão. O medo é quase sempre ficção.
O valor de uma atitude: Se o Sr. Moema tivesse me perguntado mais uma vez, o "não" protocolar teria saído da minha boca no piloto automático. Mas ele teve o brio de agir. Abriu a porta e confiou na minha capacidade de desejar, mesmo quando o meu desejo estava soterrado por camadas de vergonha.
Hoje, sou completamente apaixonada por esse mundo colorido. E pensar que tudo nasceu de um sobressalto consentido, no banco do passageiro de um carro, diante de uma porta que eu jurava que nunca cruzaria.
Por isso, se você carrega esse mesmo frio na barriga, converse com quem está ao seu lado. Alinhem os limites, protejam o afeto, mas, acima de tudo, permitam-se. A vida passa num sopro.
E o tesão bem vivido é a única coisa que realmente nos mantém acordados.
Um beijo gostoso,
Moema
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